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FECOAGRO – HÁ 46 ANOS PRATICANDO E ESTIMULANDO A INTERCOOPERAÇAO EM SC

O surgimento de uma sociedade cooperativa de segundo grau, segmentada em nível estadual foi um fator marcante no cooperativismo de SC. Contribuindo para otimizar negócios conjuntos, reduzir custos, estimular a integração e a intercooperação,

Muitas instituições semelhantes em outros estados tentaram e não tiveram vida longa nessa missão. Não é fácil unir desiguais em tamanho, mesmo tendo os objetivos filosóficos no mesmo rumo.

A Fecoagro, além de ser o braço econômico de um grupo de cooperativas agropecuárias em negócios comuns, tem sido a porta-voz das reinvindicações políticas e institucionais do sistema agropecuário. Também é a principal mobilizadora da opinião publica – interna e externamente – na difusão do cooperativismo e do agronegócio catarinense.

Passou por bons e maus momentos econômicos na sua trajetória, mas hoje se consolidou e é reconhecida como grande estimuladora da intercooperação em SC e no Brasil.

 

COMO SURGIU A FECOAGRO

Nos anos 70, o cooperativismo catarinense já existia, mas com a tecnologia e gestão da época. Não tínhamos o Sescoop, nem a preparação e formação profissional dos dirigentes e funcionários. Era realizada precariamente, através de órgãos do governo. Na época, o INCRA Federal; a Secretaria da Agricultura do Estado – por meio da COPA-Coordenação de Organização da Produção de Abastecimento; e pela EPAGRI, que mantinha uma Diretoria Estadual de Cooperativismo.

Nos idos de 1973, a globalização dos mercados era desconhecida ou inexistente. O sistema de comunicação era precaríssimo, e as informações do comportamento do mercado agropecuário eram obsoletas se comparamos com os dias atuais. Em SC apenas a cidade de Blumenau dispunha de DDD-Discagem Direta à Distância. Nem a capital do estado dispunha desse serviço de comunicação.

As cooperativas agropecuárias atuavam individualmente. Embora tendo os mesmos objetivos nas atividades dos agricultores; grandes, médias e pequenas cooperativas, entregavam resultados diferentes aos seus associados. Pois os negócios não tinham padrão de qualidade, nem de preços dos produtos. Cooperativas vizinhas, e às vezes atuando na mesma área, se digladiavam no mercado. Concorrendo entre si, o que acabava criando problemas ao apresentar os resultados da comercialização. Especialmente de soja, cuja produção na época, era pequena e ofereciam poucos resultados econômicos aos seus cooperados.

Nos anos de 1973/1974, as exportações de soja eram controladas pelo Governo Federal. Para se exportar era preciso ter cotas, que eram liberadas pela então CACEX, uma Diretoria de Comercio Exterior do Banco do Brasil, que ficava no RJ.

Essa exigência fazia com que quem quisesse exportar fosse ao RJ reivindicar quotas. Nossas cooperativas, com volumes pequenos na época, e com intenção de buscar o mercado internacional, sofriam por falta de uma coordenação estadual.

No Meio Oeste, em Videira, existia uma cooperativa central – CEMOESC que fora constituída para fazer captação de incentivos fiscais. Proporcionados pelo Governo do Estado para a construção de armazéns, cuja exigência era que fosse por uma Central. Aquela passou a reunir as cooperativas da região, para buscar as cotas de exportação e também negociar em conjunto no mercado para aquelas cooperativas: Coopervil, de Videira; Coperio, de Joaçaba; Coopecaçador, de Caçador; Coopercampos, de Campos Novos; Cooperzal, de Capinzal; Coopérdia, de Concordia; Coopernúcleo, de Curitibanos e Coopernorte, de Mafra.

No Oeste Catarinense, lideradas pela Cooperalfa, outro grupo de cooperativas da região que necessitassem de quotas parta exportação em coordenadas informalmente pelo então presidente Aury Luiz Bodanese.

Assim, em diversas ocasiões, os dois grupos se encontravam no RJ para pedir quotas. Em determinado momento a própria CACEX recomendou que SC se unisse e fizessem um único pleito, a exemplo do que já acontecia com as cooperativas gaúchas, através da Fecotrigo, hoje Fecoagro-RS, e no Paraná através da COOCAP, lideradas pela OCEPAR.

Foi assim que surgiu em SC  a primeira ideia para a união das cooperativas agropecuárias. Após uma rápida passagem de coordenação informal via Ocesc – onde foi formado o Birô de Informações de Mercado, em reunião realizada no Cetrevi de Videira – entre cooperativas do Meio Oeste e do Oeste Catarinense, foi decidida a criação de uma federação estadual de cooperativas agropecuárias. Não apenas para buscar quotas de exportação, mas também fazer negócios em conjunto e exportar a soja que, na essa altura, já ganhava corpo em volume em SC.

Um grupo técnico constituído pelas cooperativas foi formado. Ivan Ramos da Coopernorte e CEMOESC; Oscar Zilio da Coperio; Moises Pollak da Cooperalfa; e Wanderley Reis, da Coopercentral Oeste foram visitar outras entidades similares no RS e no PR, (FECOTRIGO e COOCAP), para conhecer o funcionamento daquelas, e depois propor uma minuta de estatuto social, e foi decidido oficialmente de formar uma federação.

Em 25 de julho de 1975, no auditório do Palácio SC em Florianópolis, foi realizada a Assembleia Geral de fundação da federação. Na qual quinze cooperativas assinaram a ata de fundação da FEDERAÇÃO DAS COOPERATIVAS AGROPECUARAIS DOESTADO DE SANTA CATARINA LTDA- FECOAGRO. Elegendo, na ocasião, como primeiro presidente o Sr. Aury Luiz Bodanese (então presidente da Cooperalfa de Chapecó); como vice-presidente, Waldomiro Antônio Panis (presidente da Cooperzal de Capinzal) e Athos de Almeida Lopes (presidente da Coopercampos de Campos Novos), como secretario.

O conselho de administração ficou assim constituído: Arlindo Cantarelli (Coopersãomiguel, de São Miguel do Oeste); Walter Schuttel (Coopermondaí); Helvino Heriberto Hoppe (Cooperpal, de Palmitos); Osmar Erhadt (Cravil de Rio do Sul); Bruno Spies (Cooperativa de Itapiranga); e Guido Nehuls (Cooperal, de Abelardo Luz). Para o conselho fiscal foram eleitos: Silvestre Antonio Fantin (Coopervil de Videira); Arcangelo Miguel Zambiazzi (Coperio de Joaçaba); Jayme Schultz (Coopernorte de Mafra); Ricieri Martello (Copérdia de Concórdia), Osmar Jacob Massing (Cooapesc, de São Carlos) e Oribes Dal Bem (Cooperal, de Abelardo Luz).

Na mesma assembleia que elegeu os primeiros dirigentes, também houve uma votação para a escolha da sigla da Federação. Havia duas propostas. A primeira era FECOAGRO, e outra FECOESC. Por 9 votos a 6, venceu a FECOAGRO.

 

AS ATUAÇÕES DA FECOAGRO:

  1. CENTRAL DE NEGÓCIOS

A Central de Negócios, que abriga a centralização de compras, foi a principal atividade iniciada na segunda fase da Fecoagro isto é, a partir de 1993, na sua reativação.

Hoje esse setor está dividido em três focos de ações: a) Compras em pool, cujas aquisições são feitas em conjunto, com faturamento e entregas feitas direto do fornecedor para a cooperativa filiada, b) Compras de repasse, nas quais alguns itens de produtos são faturados para a Central de Negócios da Fecoagro, e esta repassa às cooperativas, para poderem usufruir tabelas de preços especiais devidos à centralização de volumes, c) Setor de Hortifrutigranjeiros, que adquire os hortifrútis no Ceasa em Curitiba e/ou das cooperativas produtoras e refatura aos supermercados das cooperativas participantes. Nesse setor ainda tem a prestação de serviços de estocagem frigorificada centralizada de produtos perecíveis em sua unidade em Palmitos para depois repassar às cooperativas. A Central de Negocio de Palmitos-SC está dividida em duas gerências: Gerência de Insumos Agropecuários e Gerência de Produtos para Supermercados e Logística.

No ano de 2019 o volume total de negócios realizados nessas atividades da Central de Negócios ultrapassou R$ 934 milhões e a economia gerada e repassada às cooperativas foi de R$ 24 milhões.

  1. INDÚSTRIA PROCESSADORA DE FERTILIZANTES

A indústria misturadora de fertilizantes da Fecoagro, instalada em São Francisco do Sul, tem sido a atividade econômica de maior vulto e também que oferece maior risco devido sua estreita dependência do mercado internacional. As matérias primas são todas importadas e a taxa cambial que norteia os negócios, já que as compras são em dólares e a venda no mercado interno é em real. Também em termos de faturamento é o que mais impacta nos negócios da Fecoagro.

Mas ela tem feito sua parte de garantir qualidade dos produtos ofertados às cooperativas e aos agricultores, vendendo não apenas preço, mas sendo a reguladora de mercado na área de fertilizantes em SC. A existência da indústria de fertilizantes sob o controle das cooperativas passa a ser estratégica e nem sempre aufere resultados econômicos diretos, mas sim indiretos nas cooperativas, devido à volatilidade do dólar, e a concorrência no mercado.

Desde a implantação da indústria em 2004, o volume de operações nessa área tem se ampliado, assim como capacidade de processamento, tendo que realizar novos investimentos em todos os anos para se ajustar a demanda. A par disso, foram instalados novos equipamentos para produção e produtos especiais, mais inovadores, acompanhando o avanço tecnológico do setor agrícola.

Os negócios de fertilizantes da indústria desde sua fundação nunca apresentou prejuízos às cooperativas associadas. Ao contrario, na grande maioria das safras, o negócio gerou resultados para pagar os investimentos e ainda devolveu resultados às cooperativas na forma de  capitalização. Além disso, conseguiu acumular patrimônio expressivo nessa unidade, valorizando sua estrutura fabril, registrando avaliação pelo menos 10 vezes maior do que o capital social que as cooperativas acumularam na Fecoagro, também fruto dos resultados das operações industrial.

No ano de 2019, a indústria de fertilizantes da Fecoagro produziu 351 mil toneladas de fertilizantes, sendo 216 mil de venda própria, e 135 mil em prestação de serviços á terceiros. O valor do faturamento no exercício foi de R$ 363 milhões.

 

  1. CONVÊNIOS GOVERNAMENTAL

Nos últimos 20 anos, a Fecoagro tem atuado na coordenação operacional dos programas de Incentivos do Governo do Estado aos produtores rurais. Administrando a execução dos programas Terra Boa – o troca-troca, que estimula o plantio de milho e pastagem – além de apoio à apicultura. É a Fecoagro que realiza as aquisições das sementes de milho e calcário, além dos insumos para pastagem, operando todos os controles para distribuição dos subsídios oferecidos pelo Governo do Estado, a fim de diminuir os custos de produção aos agricultores. Para tanto existe uma normatização dos programas onde a Fecoagro participa ativamente no estabelecimento das normas e na cobrança dos cumprimentos e prestação de contas junto ao Governo do Estado. O programa Terra Boa, que na sua implantação no Governo de Esperidião Amin, manteve-se atualizado e informatizado nos governos seguintes. Atualmente está consolidado dentro da Secretaria da Agricultura e na Fecoagro para atendimento aos pequenos agricultores de SC. Em 2019 o programa Terra Boa atendeu 65 mil agricultores com subsídios de R$ 41,3 milhões nos programas de calcário, semente de milho, kit de insumos forrageiros e kit apicultura. Para 2020 estão orçados recursos na ordem de 52 milhões. Em 2020 foi ampliada a participação da Fecoagro no Terra Boa, participando no repasse de recursos nos custos do seguro das lavouras de grãos de inverno e na divulgação nas mídias sobre os cuidados que os catarinenses e visitantes têm no ingresso de produtos agropecuários de outros estados e países.

 

  1. AÇÕES INSTITUCIONAIS E DE COMUNICAÇÃO

A Fecoagro continua presente nos trabalhos de difusão do cooperativismo e do agronegócio ate hoje. Além da representação institucional do cooperativismo agropecuário em diversas esferas de governos, politicas e de entidades de classe, A Fecoagro tem mantido e ampliado anualmente seus projetos na área de Comunicação. Mantém há mais de 40 anos dois programas de rádio em 70 emissoras de SC. O Agronegócio Hoje, diariamente com notícias e informações de interesse do agronegócio, e o Informativo Agropecuário, semanal, mais amplo e com análises dos fatos do cooperativismo da semana. Também produz dois programas de TV, com cobertura estadual e nacional. No Canal Rural, sintonizado na TV por assinatura nas parabólicas e nos canais locais. SBT e Record News em TV aberta, para atingir não apenas o meio rural, mas também os formadores de opinião nos meio urbanos. O resenha do Cooperativismo e do Agronegócio, e o Cooperativismo em Noticias, também estão consolidados em audiência e permanecem no ar por mais de 10 anos.

Além disso, mantém a TV COOOP pela web, exclusiva da Fecoagro veiculando, 24 horas por dia, programas, matérias e vídeos de interesse dos agricultores e dos cooperados de outros ramos do cooperativismo. O programa de comunicação da Fecoagro já foi premiado por duas vezes pela OCB-Organização das Cooperativas Brasileiras.

Além de difundir e conscientizar sobre o cooperativismo, o setor contribui para a difusão da prática da intercooperação, ou seja, relação e negócios entre as cooperativas do mesmo ramo e de ramos diferentes, como também na publicidade dos produtos da Fecoagro e das cooperativas associadas.

 

Os presidentes da Fecoagro de 1975 a 2021:

  • De 1975 a 1982 – Aury Luiz Bodanese – Cooperalfa
  • De 1982 a 1984 – Luiz Carlos Chiocca – Coopercampos
  • De 1984 a 1988 – Erico Frederico Gebler – Cooperlitoranea (desativada)
  • De 1988 a 1991 – Jose Zeferino Pedrozo – da Coperio (desativada)
  • De 1991 a 1994 – Aury Luiz Bodanese – Cooperalfa – reativada
  • De 1994 a 2000 – Luiz Hilton Temp – Cooper A1
  • De 2000 a  2006 – Neivor Canton – Coperdia
  • De 2006 a 2009 – Marcos Antonio Zordan – Cooperitaipu
  • De 2009 a 2016 – Luiz Vicente Suzin – Coopervil
  • De 2016 A 2021- Claudio Post –  Cooperauriverde