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Um pepino a mais a ser descascado no meio rural

Publicado em: 17/06/2019

Por Ivan Ramos diretor executivo da Fecoagro

Vez por outra parte da mídia no nosso país tem enfocado assuntos que dizem respeito ao setor rural e, via de regra, com destaque negativo de determinados assuntos, talvez pelo desconhecimento profundo, ou atendendo outros interesses. Há casos concretos de enfoque de apenas uma das partes, quase sempre dos denuncistas, direcionando fatos fora da realidade. Um dos temas que tem sido assim tratado é o caso dos agrotóxicos, cuja versão midiática nem sempre tem sido a real.

Mas o que queremos abordar hoje é outro assunto que não está tendo o destaque na mídia em geral, mas que afeta toda uma cadeia produtiva. São as novas normas na produção leiteira no país.  Em SC para o setor rural a atividade leiteira é muito importante e está presente em quase a totalidade das propriedades rurais, em maior ou menor escala. Em nível de país há destaque na produção, mas deveria se ter muito mais atenção do lado do consumidor, já que atinge a todas as camadas da população.

As normas emanadas no Ministério da Agricultura, e que começaram a valer desde o último dia 31 de maio, têm criado polêmica na cadeia produtiva. Desde o produtor até o distribuidor final do leite. O curioso é que todos os envolvidos na cadeia são favoráveis às normas, consideram importantes, inclusive para o futuro da produção do leite, mas divergem na forma adotada e abrangência padrão, independentemente da capacidade atual de absorção das mudanças, quer do produtor, quer da indústria que é a responsável pelo recolhimento do leite, e pela colocação do produto no mercado.

Na audiência pública realizada na semana passada na Assembleia Legislativa, coordenada pelo deputado Moacir Sopelsa, que é o presidente da Frente Parlamentar na Produção Leiteira, foi possível identificar as diferentes visões do assunto que afeta produtores e consumidores. Representantes de entidades de toda a cadeia produtiva se pronunciaram e reconheceram que precisamos melhorar a qualidade da nossa produção leiteira, a fim de nos adequar às exigências dos mercados internacionais, com a finalidade de buscarmos a exportação para podermos superar eventuais crises internas e que pode atingir a nossa economia e, evidentemente, o poder aquisitivo no consumo dos produtos lácteos e, consequentemente, que nos preços do leite em nível de produtor; e a corda dos prejuízos sempre arrebentando na parte mais fraca, que é o agricultor.

O que se pretende em resumo?  É que sejam implantadas as normas paulatinamente, isto é, não de forma abrupta como prevê a nova normatização, para que toda a cadeia possa se ajustar em investimentos e treinamentos no sistema de produção. É verdade que o assunto vem sendo postergado e adiado faz muito tempo, e isso também foi reconhecido pela cadeia produtiva, mas segundo depoimentos na reunião, muita gente do setor vai ficar na estrada se não houver ajustes temporal na implantação, e não na revogação do que foi normatizado. Está sendo conclamado ao Governo do Estado a participar dessa transição.

A Frente Parlamentar ficou encarregada de tratar junto ao Poder Executivo para buscar subsídio nos financiamentos para que produtores e indústrias do setor leiteiro possam se adequar em equipamentos para atender as novas exigências. Enquanto isso não ocorrer, o que se leu na audiência é que muitos produtores ficarão de fora das normas, e muitas pequenas indústrias do setor também. Há necessidade de se resolver esse impasse, por questões econômicas e sociais. Entretanto, uma coisa parece certa: tanto grandes como pequenos precisam observar a higiene e sanidade na produção leiteira, pois se não for assim, quem pagará a conta dos resultados com reflexos na saúde pública, são os consumidores de leite. Pense nisso.

Fonte: Fecoagro