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Quem faz o preço é o mercado não o custo

Publicado em: 17/07/2017

Por Ivan Ramos – diretor executivo da Fecoagro

É comum ouvirmos nos meios empresariais, que quem faz o preço de venda é o mercado, não os custos de produção. A lógica não deveria ser esta, mas na prática é assim mesmo. Se eu tenho um custo elevado, preciso procurar meios para reduzir ao mínimo possível, para estar preparado para enfrentar reveses do mercado. A lei da oferta e da procura é irrevogável, e atinge qualquer setor. Esses dois exemplos estão em prática em SC e no Brasil, nesse ano, com o caso da produção e comercialização do milho.

No ano passado, a falta do produto, jogou o preço a valores estratosféricos, independentemente do seu custo de produção. Quem preferiu apostar que o preço ficaria lá em cima, mesmo com a possibilidade de ampliação da produção no ano seguinte, hoje amarga frustração.

Nesse ano a conta está inversa. O agricultor que não acreditou na proposta governamental e das cooperativas de vender antecipada tendo seu lucro assegurado, agora enfrenta dificuldades para venda com rentabilidade, pois os preços despencaram. Quanto custou para plantar e colher o milho em oferta, pouco importa. Quem faz o preço é o mercado e esse está guiado pela lei da oferta e procura. Está sobrando milho, e, portanto, os preços não sobem.

Há uma gritaria geral, pois os produtores criticam os consumidores do milho que não valorizam a atividade e ignoram os custos de produção.

É a lei do mercado. Os consumidores estão podendo pagar menos devido ao excesso de produção e acreditando que vai ficar nesses níveis de preços até 2018; e os produtores dizendo que com esse preço não dá para plantar milho.

Qual a conclusão?  Ambos os lados sempre pensam no imediatismo. Nunca em médio e longo prazo e dessa forma ficam expostos aos riscos do mercado.

Os maiores consumidores de milho em SC são as agroindústrias. Elas pagaram caro no ano passado e agora estão tendo vantagens. Não estão pensando no futuro. Acreditam que o preço atual é o histórico de muitos anos e que no ano passado foi uma exceção.

No caso da Aurora por ser cooperativa e que tem que olhar os foi lados, tanto o produtor como da indústria, fica numa sinuca de bico. Sabe que precisa ter o milho e incentivar os agricultores associados das cooperativas, mas pelo outro lado precisa estar com os custos da produção das carnes alinhados com mercado, sob pena de perder na concorrência para aquelas que terão custo de produção inferior. De novo: quem faz o preço é o mercado.

O Governo do Estado através da Secretaria da Agricultura está intermediando o meio termo. Acha que precisa haver remuneração condigna ao plantador, mas também entende que preços elevados nas carnes, prejudica o setor agroindustrial.

Está tentando viabilizar o incentivo para que haja plantio do milho até porque para o Tesouro Estadual não é vantagem ter que trazer milho de outros estados.

Mas o mercado momentâneo está sendo mais forte. As agroindústrias não estão flexibilizando preços para o milho a ser colhido em 2018. Resultado? O programa de incentivo deve ir por água abaixo nesse ano. Não foi por falta de interesse do Poder Público e das cooperativas. Foi porque os agentes do mercado pensam no imediatismo e não no futuro.

Se lá na frente vai dar certo, ninguém sabe, e os contrários devem ficar com o ônus do risco. Pense nisso.