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Ainda sobre o problema do milho

Publicado em: 19/06/2017

Por Ivan Ramos – diretor executivo da Fecoagro

Na semana que passou, assistimos mais um capítulo da novela sobre a situação do milho em SC. A realização em Chapecó do Fórum Mais Milho, promovido pelo Canal Rural, deixou mais uma vez evidente que há necessidade de adoção de diversas medidas pelas partes envolvidas para pelo menos minimizar essa carência de resultados para os interessados no cereal.

Os problemas que enfrentamos na produção e comercialização do milho todos nós conhecemos, assim como, da carência de infraestrutura desde a logística até o armazenamento do grão em nosso Estado. Também temos consciência que o Estado jamais vai conseguir ampliar áreas suficientes para produzir suas demandas com a produtividade atual, mas como ficou evidente no Fórum, ainda há espaço para ampliar a produtividade para diminuir a diferença de produção e demanda.

Mas enquanto isso não acontece há necessidade que produtores e consumidores de milho cheguem a um acordo de preços para viabilizar as duas partes do processo. Agricultores precisam se conscientizar que existe limite de preços para viabilizar economicamente a produção de proteínas e, por sua vez, as agroindústrias precisam reconhecer que para produzir milho, há necessidade de rentabilidade na cultura, sob pena de cada vez menos pessoas tenham interesse em plantar milho.

Do lado agroindustrial o argumento é sempre que o milho é uma commodity internacional e que o preço é feito em nível mundial. Se usa isso sempre quando o preço está em baixa no exterior. Os números atuais mostram que as cotações internacionais estão no fundo do poço, e que o consumo e produção do produto estão apertados, e qualquer alteração climática nos países produtores, pode jogar o preço para cima. Ademais, o custo do milho importado, mesmo em épocas de baixa lá, é o mesmo, quando não mais do que incentivar o plantio por aqui, com preços remuneradores aos agricultores.

O Governo do Estado e as Cooperativas estão fazendo sua parte para estimular o plantio. Oferecer um pacote tecnológico de insumos para obter maior produtividade e, consequentemente, mais lucro, e com condições de pagamento dos insumos com o próprio milho a ser colhido, e estimular a venda antecipada com preços garantidos é uma das providências.

O Governo do Estado está se dispondo a ajudar a pagar o seguro da lavoura, uma vez que a venda antecipada precisa de garantias, também faz parte dos incentivos. Mas para isso precisa que o consumidor do milho, no caso as agroindústrias, também se disponham a aceitar a proposta e garantir a compra antecipada de parte de suas necessidades e dispor do milho na hora oportuna.

Deu para sentir no Fórum de Chapecó, que com exceção da Aurora, o setor agroindustrial não está preocupado com o futuro do abastecimento, mas sim na realidade atual, que lhes é favorável pelos preços baixos do momento.

Destarte todos os demais problemas que afetam a cultura, da produção ao escoamento do produto e que foram objeto de discussão no Fórum, uma conclusão foi bastante clara: há necessidade de negociação entre as partes, aproximando produtores e consumidores. Se for ao caso, cada qual cedendo um pouco, para assegurar a permanência da cultura em SC, e assim diminuir os problemas em cada safra. O que tem ocorrido é que num ano um ganha e outro perde e no outro ano acontece o contrário.

Precisamos adotar uma política duradoura que atenda a ambos os interesses, produtores e consumidores, e isso é possível, bastando que haja compreensão e reconhecimento que todos precisam sobreviver. A ganância de momento pode comprometer o futuro do setor. Para o próximo plantio, com colheita em 2018, o momento de decisão é agora. Se não houver definição de plantio, pode ficar tarde. Pense nisso.